Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

Há duas semanas, tinha ficado prometido que, em breve, íamos falar de uma história chamada "Filho pródigo":

 

Foi o que fizemos hoje. Primeiro, começamos por ficar a saber que "pródigo" significa "aquele que gasta muito", porque na história que há um filho que gasta tudo o que o pai lhe deu. Também há quem diga que é a "História dos dois irmãos", porque nela há dois irmãos muito diferentes.

 

Nós que título lhe demos? Continuem a ler até ao fim e logo saberão ;)

 

A história que ouvimos contar foi assim:

 

"Um senhor muito bondoso tinha dois filhos. O mais velho trabalhou sempre nas terras do seu pai e jamais lhe desobedeceu, mas o mais novo, certo dia, pediu ao Pai dinheiro e partiu.

Enquanto o seu dinheiro durou, foi gastando, gastando, gastando, até que, quando já não sobrava nada, teve de ir guardar porcos. Andava cheio de fome, mas nem o deixavam comer a comida dos porcos. Até aqueles bichos que eram tão mal vistos pelos judeus, aqueles animais que ninguém comia, eram considerados superiores a ele. Como estava triste! Pensar que tudo aquilo era culpa dele! Aos empregados do pai nunca lhes faltava o que comer, mas ele, que podia ter tudo, porque não tinha sabido agradecer tudo o que o Pai lhe dava, não só comida, roupa e casa, mas sobretudo, carinho, estava ali, naquela situação...

De repente, levantou-se, sacudiu a poeira, como se quisesse sacudir também as asneiras que tinha feito e a tristeza do seu coração, e seguiu rumo a casa do Pai, ia pedir-lhe que o perdoasse, não que lhe devolvesse o seu estatuto de filho, mas que o deixasse ser seu empregado. Durante todo o caminho de regresso a casa, pensou que lhe pediria perdão por o ter magoado e por ter deixado Deus triste, que lhe pediria muito que o deixasse ser seu empregado, uma vez que já não merecia ser chamado seu filho.

Contudo, não teve tempo de dizer que estava muito arrependido, porque o seu Pai, como o tinha feito durante todo aquele tempo, estava a tentar ver voltar aquele filho, cheio de esperança de que, um dia, ele acabaria por voltar. Mal o viu lá longe no caminho, saiu a correr e ainda não tinha dado tempo ao filho de dizer palavra, já o apertava contra si num abraço, mostrando-lhe um carinho sem fim, o que ainda deixava o filho mais arrependido. O Pai amava-o infinitamente e ele desgostara-o tanto!

O Pai chamou os empregados, mandou trazer-lhe um anel, uma túnica e preparar uma grande festa. Nunca aquela casa vira tanta alegria!

Quando começou a escurecer, o irmão mais velho chegou, vinha cansado de trabalhar nas terras do seu Pai e ficou muito surpreendido quando ouviu o barulho da festa. Por isso, chamou um dos empregados e perguntou-lhe o que se estava a passar. Quando ficou a saber que toda aquela animação era por causa do regresso do seu irmão, que tanto tinha feito sofrer o Pai, quando o abandonara, ficou furioso. Como podia o Pai, que nunca lhe fizera uma festa com os amigos, festejar tanto o regresso de um filho tão mau como aquele?

O Pai, vendo que ele nunca mais entrava, veio falar com ele. Encontrou um rapaz muito triste e cheio de raiva, que não percebia que o Pai tivesse uma atitude de tão grande Amor e Perdão. Achava que se o Pai tinha uma festa a fazer era para ele.

O Pai bem lhe tentou explicar que aquele filho era como se tivesse estado morto, afastado de todos os que o amavam, até de Deus. Tentou fazer-lhe perceber que a ele, que sempre tinha estado com ele, não havia necessidade de fazer uma festa, o simples facto de estarem juntos era motivo de alegria. Além disso, o seu irmão que agora regressava vinha muito triste, machucado, marcado pelo mal que fizera e que transportava às costas. Magoar os outros não deixa marcas só neles, também nos magoa muito a nós mesmos, quando nos apercebemos de que estávamos errados. Para remover as marcas, só há um remédio: o Amor.

O filho mais velho é que não se deixava convencer. Ainda não tinha percebido que se deve perdoar sempre e que o Amor que damos aos outros não depende de serem sempre bons e fazerem-nos sempre felizes.

Foi Jesus quem primeiro contou esta história.

Com ela, Jesus quis mostrar-nos como é o jeito de amar de um Pai bondoso. O Pai mais bondoso de todos é o Pai de Jesus e nosso Pai, a quem chamamos Deus Pai.

O Seu Amor não é só para quando nos portamos bem, nem é mais para os que se portam bem do que para os que se portam mal. Deus ama cada filho do jeitinho que ele é.

Tanto nos ama quando resolvemos fugir dele, como o filho mais novo ou a ovelha perdida, como nos ama quando nos pomos em bicos de pés e nos achamos os melhores como o filho mais velho. Apesar de não gostar que façamos dessas asneiras, não deixa de nos amar por isso. Não deixa de nos amar nem por um bocadinho! Não há nada que possamos fazer com que Deus deixe de nos amar, está sempre pronto a perdoar-nos."

 

Depois disto, fica a pergunta: será que nós também podemos aprender a amar assim?

 

Logo a seguir, tivemos visitas. Os meninos do 2.º volume vieram festejar connosco o aniversário da Filipa. Festejar em conjunto, como fazem os irmãos.

 

Após esta lição prática de partilha, os meninos do 1.º volume também puseram em comum o que tinham de melhor: contaram a história que tinham ouvido.

O que é que ainda faltava? Arranjar um título. Será que ficava bem dizer que era a história do filho gastador? Ou que era a história do irmão mais velho invejoso? Ou que era a história dos dois irmãos muito diferentes? 

 

Após discutirmos um pouquinho, achamos que é a história do Pai especial. É que todos os filhos, às vezes, se afastam do caminho certo, quer porque gastam a vida no que não vale a pena, quer porque se acham os melhores do mundo. Nós também fazemos assim. É isso o que mais importa?

 

Não! O que mais importa é que Deus nos ama a todos, para lá de todas as nossas falhas e acertos.

 

Muito em breve, o 2.º volume vai ter a Festa do Pai Nosso. É uma Festa que existe porque eles merecem? Não! É uma festa que fazemos porque sabemos que temos um Pai que nos ama a todos muito e isso é algo que sentimos que é motivo para festa. Porque somos muito amados por Deus, sentimos, depois, que temos de amar os outros, os nossos irmãos. É o Pai que nos ama primeiro. Nós só tentamos responder a esse amor.

 

Depois disto, fizemos oração, em que agradecemos por um Deus Pai que nos ama muito, pela vida Filipa e pela possibilidade permanente de recomeço.

 

 

 

 



publicado por Micaela Madureira às 21:53 | link do post

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