Domingo, 22 de Abril de 2012

Hoje, porque não tinha grupo de catequese (o 10.º volume estava a dar catequese aos mais pequeninos da Comunidade) fui ao grupo de caminhada de adultos.

Estivemos a falar um pouco das atrocidades de que a Humanidade é capaz, da forma como pode negar-se como obra amorosa de Deus, como pode viver de uma forma tão antagónica às Bem-aventuranças.

É verdade: somos capazes do pior, do inimaginável!

Porém, também conseguimos ser capazes do melhor, de sermos verdadeiramente rosto de Deus.

De manhã, tive (aquele ter de quem não consegue calar o que lhe diz algo) de partilhar com o Carlos, a Susana e a Olga o texto abaixo, que me tocou esta semana. Já tinha vontade de o partilhar aqui e sinto mesmo que tenho de o fazer.

Para quem não o saiba, a descoberta da Casa Jovem foi importante para mim, há cerca de um ano. Esteve até, de algum modo, na génese do Dividir para Multiplicar, porque, através da venda de pulseiras com orações (Pai Nosso, Avé Maria e Anjo da Guarda) deles, me apercebi que havia coisas simples que eu podia fazer e podiam ser úteis.

Esta é a semana das vocações. Recuso-me a vê-la como semana meramente de vocação para padres ou freiras. Esta e todas as semanas são boas para descobrirmos a nossa vocação, aquilo em que podemos ajudar Deus a completar a Sua Criação.

Que tal fazermos desta semana uma descoberta daquilo que nós, cada um de nós, pode fazer para ser ao jeito de Jesus? Que tal fazermos desta semana uma semana de descoberta de quem somos e do que somos capazes? Que tal fazermos desta semana uma semana de consagração dos nossos dias, da nossa Vida, ao Serviço? Que tal fazermos da nossa Vida uma permanente descoberta daquilo que de bom temos para oferecer a Deus, das fraquezas que ainda levamos dentro e Ele pode moldar, das oportunidades que Ele nos dá de O servirmos (aquelas em que é evidente que é Ele que nos chama, ainda que Ele não seja evidente) e das ameaças a sermos que podem andar disfarçadas?

Não acredito que Deus que nos pede impossíveis, mas acredito Deus realiza impossíveis em nós.

Às vezes, através de algo tão simples como alguém que pede lápis de hóteis...

 

"Ninguém me contou. Eu estava lá. Foi há três anos, durante uma viagem de  lazer. Calhei num daqueles grupos, organizados para as visitas guiadas a  monumentos. A Irene andava de banco em banco, no autocarro, a falar com as  pessoas: se não se importarem, por favor, tragam-me os lápis do vosso quarto de  hotel, sim? Num ápice fiz o filme. Todo distorcido, mas fiz o filme. Faz coleção  de lápis, pensei. E, logo a seguir, que não.

Não fazia sentido, ter tantos lápis repetidos, como se fossem cromos para  trocar. E no minuto seguinte, a Irene explicou: são para as minhas crianças.  Elas comem lápis, sublinhou com um sorriso terno. Afiam-nos até ao tutano.  Desenham imenso, fazem os trabalhos de casa e, muitas vezes, não temos dinheiro  para comprar material escolar.

Um dia, se tiverem tempo, passem por lá, pela nossa Casa. Visitem-nos.  Estamos na Rua dos Caldeireiros, no Porto. E um dia, passei por lá, pela Casa  Jovem. Quatro pisos cheios de futuro, sonoro e colorido. Mas incerto e  comprometido, em muitas vertentes, que deviam ser garantidas.

Atraídas pela história dos lápis, outras pessoas dessa mesma viagem, também  passaram e ficaram. Como voluntários. Hoje são 25. Uns dão explicações, outros  ensinam inglês, matemática, o que estiver de acordo com as necessidades de um  centro de atividades de tempos livres. Porque há um mundo de coisas por fazer e  para fazer por aquelas crianças.

A Casa Jovem é uma estrutura gerida pelo Centro Social e Paroquial Nossa  Senhora da Vitória (CSPNSV), a três passos da Torre dos Clérigos. Muito fácil de  encontrar. Acolhe 70 crianças, 30 não têm qualquer apoio económico. Nenhum. Nem  público, nem estatal. E enquanto não há outra solução, é preciso agir.

São crianças com idades entre os 6 e os 10 anos que se não estivessem ali, estariam na rua. Depois da escola, não teriam para onde ir, nem com quem ficar. A freguesia da Vitória é formada, na sua maioria, por uma população pobre, excluída, com comportamentos desviantes, sem família constituída e idosa. 70% das crianças que frequentam o CSPNSV não têm família estruturada e/ou são filhos de mães adolescentes e mães solteiras.

Deixá-las sem uma resposta, estava fora de causa. Seria um crime social, como  ouvi dizer ao Padre Jardim Moreira, homem habituado a estar onde mais precisam  dele.

Foi com o intuito de poder manter o seu acolhimento que foi criado, há três  anos, o projeto "Um padrinho, um amigo" que visa tão só encontrar pessoas e/ou  empresas que possam comprometer-se a dar entre 10 e 50 euros mensais. Para  comprar materiais escolares e não só. No momento, por exemplo, há muitos lápis,  mas falta papel. Até pode ser de rascunho, diz a Irene. E diz também, agora, com  a voz brilhante como berlindes, que já têm um parque infantil.

Há muito pouco tempo, não tinham uma estrutura lúdica, com escorrega,  baloiços e balancés. Bens essenciais a qualquer criança. Bem sei que como estas,  outras crianças por este país fora, por este mundo adentro precisam de quem as  apoie, de quem as acolha, de quem lhes dê lápis, papel, baloiços, colo, beijos,  abraços e outros mimos.

Bem sei que, felizmente, como esta, há por aí outras Irenes que nem a  milhares e milhares de quilómetros de Casa, pousam as asas com que trabalham  diariamente. Mas a tendência, pelo menos a minha, é falar do que sei, do que  conheço. E, talvez, este projeto, tão simples, escondido no coração do centro  histórico da Invicta, possa inspirar outras iniciativas similares, onde a  sociedade civil tenha o papel principal. E, se falarem com a Irene e com a sua  equipa, seguramente, saem mais confiantes e reconciliados com as adversidades do  dia-a-dia.

Por mim, fiquei com a noção clara de que não precisamos ir longe para ajudar.  Na nossa terra, no nosso bairro, na porta ao lado, podemos ser úteis. Se  quisermos. Bem sei que não é tão romântico como ir para muito, muito longe. Mas  é muito realista e necessário.

O certo é que não é preciso transpor fronteiras para ajudar. Basta transpor a  soleira da nossa porta. E está encontrada a missão. Nem que seja a missão  daquele dia.Baixar os braços, deixar de acreditar ou de pedir papel para pintar  sonhos é que está, em bom rigor, fora de causa."

 

Ler mais: http://visao.sapo.pt/e-ajudar-aqui-tao-perto=f659679#ixzz1smvNNHAJ



publicado por Micaela Madureira às 17:39 | link do post

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