Sábado, 21 de Abril de 2012

Perguntaram-me, há alguns dias, se o Retiro do 10.º volume foi como o imaginei.

Respondi que tinha sido muito especial, com um ritmo próprio, mas fiquei a magicar naquela pergunta.

Na verdade, houve muitas voltas trocadas:

  • Estava pensado ser no Palácio (que é um sítio que eu adoro e que me traz gratas recordações, quer por o meu Retiro de 10.º volume ter sido lá, quer por vezes em que lá fui com gente que me diz muito), só que choveu e foi a minha casa que teve de se alargar para nos acolher (mas já teria, que a oração e o jantar já estavam previstos para lá);
  • Já que não era no Palácio, tínhamos alguns problemas com algumas coisas pensadas (íamos falar da Natureza sem podermos olhar à volta e descobri-la; tinhamos de inventar espaço na varanda para um jogo planeado; em vez da fofura da relva, teríamos o soalho pronto a acolher-nos se o jogo da confiança falhasse; não dava para esconder coisas no jardim do Palácio e encontrá-las casualmente...);
  • O almoço estava previsto para as 13h, mas às 12h, já havia um coro a dizer: "Vamos almoçar";
  • Tínhamos pensado numa manhã dedicada à "revisão" da nossa caminhada, de uma forma simbólica, mas acabou por se estender pela tarde;
  • O 8.º volume juntava-se a nós às 15h, para um tema subdividido - "Ver Deus...": "Ver Deus na Natureza", "Ver Deus no dia-a-dia", "Ver Deus na caminhada de Fé que fizemos" e "Ver Deus nos mais vulneráveis".
  • Eram 16h30 e ainda não tínhamos começado.
  • Era suposto às 19h30 começarmos a oração, mas, nessa altura, estávamos exactamente a terminar os temas.
  • Depois, entre preparar o espaço e aguardar que todos chegassem, eram já quase 20h30 quando nos sentamos a conversar com o Deus que nos chama e se nos mostra.

Portanto, enquanto plano, não se pode dizer que tenha sido seguido à risca, MAS:

 

  • Não sendo no Palácio, sendo no local onde depois oraríamos e jantaríamos, fizemos tudo sem pressas, deixamo-nos levar...Não sei se todos sentiram isso, mas eu, ainda que metida dentro de casa, senti-me LIVRE;
  • Como nos atrasámos, o 8.º volume veio juntar-se a nós quando estávamos a saborear simbolicamente o nosso próprio 8.º volume (coincidência?eu chamo-lhe dedo de Deus).
  • O jogo que inicialmente tinha sido previsto para o 8.º volume (o stop adaptado) foi alterado com um ou dois dias de antecedência, para ser substituído por "Vidas que nos lembram Jesus - de A a Z", que teve tanto mais impacto do que poderíamos supor! De repente, vimos a dimensão dos nossos corpos, não deste conjunto dos pés à cabeça, mas do nosso corpo relacional. Somos feitos de tanta gente, Bom Deus! Tanta, tanta gente! Eu sou feita de muita gente e faço parte também de alguns. Para fazer parte deles, levo tudo o que sou e isso é gente. Sim, somos gente feita de gente feita de gente que é feita de gente...Até ao infinito e mais além!
  • Não deu para ver a Natureza, mas também não deu para cair na tentação de olhar para qualquer coisa e dizer que ali vemos Deus só por dizer. Cá em casa, conta-se uma história de um menino a quem perguntaram o que fez D. Dinis. Ele respondeu que tinha desenvolvido os curtumes em Portugal. Então, quiseram saber quais. Em cima da mesa, estavam carteiras, luvas, casacos...E ele olhou e começou a dizer...Se estivéssemos no meio da Natureza, talvez tivéssemos caído nessa tentação de dizer o óbvio, mas, como não estávamos...
  • Também não deu para esconder pequenos símbolos e ir encontrá-los no jardim do Palácio, mas deu para entrarmos no jardim das nossas vidas, sobretudo no que dele tínhamos feito na semana anterior ou deixado que outros dele fizessem, para descobrirmos flores a cuidar e ervas daninhas a arrancar.
  • Deu para nos deixarmos conduzir pelo ritmo do Espírito!

Então, foi ou não como o sonhei?

 

Foi como o sonhei ao longo dos anos, mas não como o planeámos na semana anterior.

 

  • Sonhei com um grupo que chegasse à hora da Confirmação a "Viver na alegria da união";
  • Sonhei com um grupo que fosse capaz de se partilhar com os outros;
  • Sonhei que não tivessem vergonha de serem cristãos;
  • Sonhei que se sentissem enviados;
  • Sonhei que se sentissem parte de uma Comunidade;
  • Sonhei que se sentissem responsáveis pela própria caminhada e pelo auxílio à dos outros;
  • Sonhei fazer parte desse sonho...

E, no último sábado, vi-o acontecer! Eu vi, eu estava lá e vi!

Vi Jesus chamar cada um pelo nome (a mim também)! Vi rostos de quem viu Jesus!

 

Por isso, dou graças a Deus pelo privilégio dos últimos 9 anos de caminhada.

 

Também não posso deixar de agradecer à Susaninha, por todos estes anos a aturar-me e a crescermos juntas, e aos "meus meninos". André, Catarina, Filipa, Ju, Melissa, Rui e Tiago, gosto muito de vós e sois muito especiais na minha caminhada.

 

Um muito obrigada ao Icas, por nos aturar, na preparação e ao longo do dia. Acima de tudo, por trazer o seu jeito especial, as suas perguntas acutilantes, a sua simplicidade, para dentro no nosso dia e das nossas vidas. És especial para nós!

 

Mariana, Rita e Bea, sem vós, o nosso dia tinha sido mais pobre. Cada uma ao seu jeito nos veio fazer sentir mais parte do Projecto que Deus tem para nós.

 

Obrigada também a todos aqueles que, no final do dia, se vieram juntar a nós. Recordar-nos, com a sua presença, que somos mesmo feitos de muita gente e que não estamos sozinhos. Às vezes, até podemos perguntar "Será que Deus se vai lembrar de me ajudar? Será que sim?", só que, depois, olhamos à volta e vemos tantos rostos de gente que nos diz muito e percebemos que Deus já nos está a ajudar, porque temos uma vida cheia de mediações.

 

Obrigada ainda a todos os restantes, que não tendo estado fisicamente connosco, fazem parte do que somos.

 

Não podemos ver Deus excepto nos sinais que nos vai dando e, em especial, na Humanidade, que está talhada para amar ao Seu jeito, embora ainda esteja em treinos.



publicado por Micaela Madureira às 15:22 | link do post | comentar

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