Domingo, 6 de Novembro de 2011

Estamos tão habituamos a andar em torno de nós que fizemos de nós o centro, que deixamos Deus para segundo plano no Anúncio.

 

Muitas vezes, falamos do que devemos fazer e do que não devemos fazer. Falamos do que Deus espera de nós, mas esquecemos o papel Dele nesta História. Como se Ele fosse um figurante e nós os actores principais.

 

No entanto, não fomos nós que descobrimos Deus, não fomos nós que chegamos aos Seus segredos, por um esforço de razão ou por estudo. Não fomos, nem somos.

 

Pelo contrário, conhecemos Deus porque Ele toma a iniciativa, porque Ele vem ao nosso encontro, porque Ele Se faz Presente.

 

Um Deus que vem ao nosso Encontro com a Sua Fé, a Sua Esperança e o Seu Amor.

 

À Fé, à Esperança e ao Amor chamamos virtudes teologais.

 

Virtudes porque são forças.

 

Teologais porque vêm de Deus, porque são partilha da lógica de Deus connosco.

 

O que nos dá mais força do que a confiança que os outros têm em nós?

E se essa confiança, essa Fé, for do próprio Deus?

 

Quem é Aquele que mais confia em nós?

Quem é Aquele que mais Fé tem em nós?

 

Sem dúvida, Deus.

 

E quem confia CONTA-SE, DIZ-SE, REVELA-SE, DESVELA-SE (tira todos os véus).

 

Assim foi ao longo da História e, na Plenitude, em Jesus, que nos revelou Deus de maneira tão perfeita que até se pôde dizer: "Quem me vê, vê o Pai".

 

Revelar-se, contar-se, dizer-se é um acto de Fé de quem está disposto a construir história, a dar-se em Aliança, a comprometer-se e a ficar comprometido. Revelar-se não é coisa de um dia, mas de uma construção ao longo da vida.

 

Deus diz-Se e nunca Se desdiz. Deus não foge à Revelação que já fez de Si e nunca nega a Sua Fé em nós, ainda que isso o faça ficar comprometido. Deus "dá a cara" por nós.

 

Há dois anos, quando fizemos a caminhada "Ser discípulo é...", quando nos dedicámos ao Anúncio, dizíamos que "Anunciar é dar a cara".

 

É, sem dúvida. Anunciar é dar a cara, assim como Deus "dá a cara" por nós. Assim como Deus, apesar de todas as nossas infidelidades, continua a dizer "Estes são o Meu Povo", "Estes são os MEUS filhos".

 

Voltando a Jesus, Revelação plena de Deus, até que ponto foi a Sua Aliança connosco? Até à "morte e morte de cruz". Até ao fim, Jesus não se desdisse, nem se descomprometeu dos Seus. Até ao fim...

 

Deus não espera que estejamos prontos para fazer connosco Aliança (se não, ainda nem a teria começado...). Não, Deus vem ao nosso encontro e acredita em nós (dá-nos crédito) ainda antes de podermos corresponder à Fé que em nós deposita.

 

Só que a Sua Fé em nós não fica por aí. Além de nos dar crédito, ainda nos perdoa as nossas dívidas. Além de confiar em nós antes de merecermos essa confiança, ainda continua a confiar em nós apesar de todas as nossas infidelidades.

 

Prova mais provada? A Fé de Jesus nos seus Apóstolos, que o abandonaram na Morte e que Ele não abandonou na Ressurreição. A Pedro, que perante uma criadita, numa sociedade em que as mulheres nem serviam para dar testemunho, O negou, entrega-lhe a missão de ser suporte da Comunidade nascente...

Parece que Jesus não percebe grande coisa de rentabilidade de investimento.

A regra não é: não se dá crédito a quem não sabemos se pode cumprir e muito menos se dá crédito a quem já antes não cumpriu?

Na nossa lógica, sim. Na lógica de Jesus, sinal visível da lógica de Deus, não.

 

Numa Aliança, numa História em construção, há sempre novos traços a descobrir, há sempre novos encantos a saborear.

Não vivemos a Fé de Deus sempre na mesma forma, não nos encantamos com Ele sempre da mesma forma.

Na História do Povo, foram-no intuindo como Pai, como Mãe, como Esposo Fiel.

Até que, em Jesus, o percebemos como Irmão que permanentemente nos tenta conduzir até ao Pai.

 

E, na nossa história, de quantas formas diferentes se nos revela a Fé deste Deus Amor em nós?

 

Muitas vezes, certamente, experimentamos que Deus nos troca as voltas e acredita/encontra soluções, quando nós já deixamos de acreditar.

A troca mais plena de voltas, como o ano passado tanto saboreamos, foi a Ressurreição de Jesus por Deus. Quando os discípulos já tinham caído no Desânimo e no "acabou-se", Deus pronuncia a última e definitiva palavra.

 

Na nossa história pessoal, muitas vezes, também dizemos “não dá” e depois DÁ, porque Deus faz das Suas...

 

 

A Fé dos outros em nós não nos deixa indiferentes, pois não?

 

E a Fé de Deus em nós?

 

Como respondemos a esta Fé que Deus tem em nós?

 

A quem se nos revela, aprendemos a contarmo-nos também.

Aprendermos a contarmo-nos e a dizermo-nos a Deus é um exercício de encontro com Ele no mais profundo de nós mesmos. Revelarmo-nos a Deus é descobrirmos a verdade sobre nós que Deus já conhece, porque nos tem gravados nas palmas das Suas mãos.

 

Há medida que nos vamos contando a Deus, vamo-nos sentido chamados à Fidelidade ao Pacto que estabelece connosco. Uma Aliança em que Deus não nos pede nem mais, nem menos do que tudo que temos para Lhe dar.

 

Quando percebemos isso e quando saboreamos um Deus Dom, que não merecemos, mas ainda assim nos dá crédito, mesmo quando o pouco que merecíamos já deixamos de merecer, vamos passando do dever ao amor, de tal forma que guardar a Fé não é coisa de quem prende ou esconde algo, mas de quem cuida.

 

Pelo meio de todas as descobertas que no Amor vamos fazendo de Deus, então, percebemos que Deus nos sussura: "Não confies nesse grande aldrabão que é o MEDO. Confia em MIM, que nunca Te faltei, nunca Te falto, nunca Te faltarei. Desconfia, descrê nesse intrujão que é o Medo."

 

Afinal, a Fé de Deus dá-nos asas para sairmos de todas as gaiolas dos nossos medos!

 

 

 

 

 



publicado por Micaela Madureira às 14:34 | link do post

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