Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

Há pessoas especiais, que nos tocam de formas especiais..

 

Como dizia a Rute "já tinha saudades de OUVIR o Pe. Santos!".

 

Aqui fica a partilha de um dos muitos tesouros do nosso querido Pe. Santos ..

 

“Era uma comunidade cristã amadurecida... Os seus membros tomavam Deus e os irmãos a sério. Conviver nesta comunidade significava ter a sorte de encontrar pessoas livres, conscientes e responsáveis. Tinham uma forte consciência da sua pertença comunitária. Por isso cultivavam a fraternidade entre si. Todos sabiam que o fundamental é eleger o outro como alvo de bem-querer.

 

Entendiam muito bem que o amor é o caminho do amadurecimento e felicidade humana. Ninguém ignorava que o amor não se confunde com paixão ou simples emoção. Amar é eleger o outro como alvo de bem-querer, aceitá-lo e valorizá-lo, apesar de ser diferente de mim ou do que eu gostaria que fosse. Além disso, o amor implica agir de modo a facilitar a realização e felicidade do outro.

 

Naquela comunidade, as pessoas sentem-se responsáveis pelas próprias tarefas, procurando agir de modo a edificar a comunidade. Todos são iguais, apesar da diversidade de carismas, ministérios e capacidades. Todos se sentem estimados e valorizados naquilo que fazem. Por isso não há pessoas desenquadradas ou marginalizadas. Este facto faz que cada qual procure render o melhor dos seus talentos. Naquela comunidade não há parasitismo, mediocridade ou fraude.

As pessoas sorriem alegres, pois têm sentidos para viver. Como todos são tomados a sério, O contributo de cada um é estimado por todos. Naquela comunidade não há cobardes nem heróis. Aquelas pessoas sabem que recebemos os talentos uns dos outros. O nosso mérito está apenas em fazê-los render. Todos têm tarefas para realizar, mesmo os menos dotados ou possibilitados.

 

As pessoas tomam todas parte no que a todos diz respeito. Ninguém se sente excluído. As pessoas compreendem que a meta da comunidade é chegar à plena comunhão. Graças ao sentido que aquelas pessoas têm do amor, encontram condições para optar e decidir de acordo com a sua realização e o bem comum da comunidade. Ninguém imagina o bem pessoal como inimigo da comunidade ou vice-versa.

 

Além do trabalho há espaços de convívio e descanso, a fim de que não falte qualidade às suas vidas. Todos sabem cantar e partilhar a alegria. Aprender, naquela comunidade, não é tarefa aborrecida, pois ninguém pretende ensinar coisas inúteis para a fraternidade e a realização pessoal. As pessoas sentem-se livres para pensar e falar. Todos estão suficientemente amadurecidos para amar.

 

Há lugar para a originalidade de cada um, pois todos sabem que as pessoas são únicas, originais e irrepetíveis. Todos se olham nos olhos. No seu olhar e no modo de sorrir há transparência e sabor a verdade e lealdade. Quando olham para o jeito de ser e viver naquela comunidade as pessoas percebem que é disto que todos temos fome.

As atitudes das pessoas entre si coincidem com as aspirações mais profundas e autênticas do coração humano. O gesto mais espontâneo entre as pessoas da comunidade é estender a mão e dizer bom dia ou boa noite. Esta comunidade é fruto de muitas decisões, escolhas, opções e compromissos de vida.

 

Nas celebrações da Fé, a comunidade sente-se o sujeito celebrante. Sabe que a presidência tem um sentido sacramental, pois exprime a presidência de Cristo. Mas na partilha da Palavra todos se sentem livres e motivados para intervir, pois sabem que são mediação do Espírito para os irmãos. Procuram orar segundo o Espírito Santo, a fim de não caírem em meras repetições ou atribuir um efeito mágico a rezas sem conteúdos de vida ou horizontes de Fé teologal.

 

Apesar de possuírem um elevado nível de maturidade humana e cristã, as pessoas têm consciência de estar em realização. Aquela comunidade é um espaço privilegiado para a acção do Espírito Santo. Em termos cristãos, a comunidade é um espaço de fraternidade e comunhão. As pessoas sentem que os outros são um dom de Deus para si e procuram ser dom para os outros. Não são família segundo os laços do sangue, mas procuram construir a família de Deus, a qual assenta nos laços do Espírito Santo.

 

Uma comunidade cristã, dinamizada pelo amor fraterno e o Espírito Santo, é um espaço privilegiado para fazer a experiência de Cristo Ressuscitado no seu meio. Depois, torna-se sinal da presença de Deus para o mundo. É isto que significa ser corpo de Cristo, isto é, mediação de encontro das pessoas com Cristo Ressuscitado. As relações, na vida da comunidade, são interpessoais e de amizade.

 

Existe um objectivo comum para o qual todos procuram convergir. Ninguém se sente mais que os outros, pois são todos membros do corpo de Cristo (1 Cor 12, 13; 10, 17; 12, 27). Todos têm a mesma dignidade fundamental: pessoas humanas, filhos de Deus e irmãos uns dos outros. As diferenças são apenas de tipo funcional, não essencial. De facto, os membros do corpo têm todos a mesma densidade e nível ontológico ou espiritual. É o mesmo princípio de organicidade que circula e alimenta a vida em todos. Cristo é a cepa e todos são ramos alimentados pela única seiva que vem da cepa (Jo 15, 1-7).

 

O projecto de vida é elaborado e decidido por todos. Não é cristã a comunidade onde as pessoas não são tomadas a sério. A presidência, Na comunidade, tem densidade sacramental: Exprime e significa a presidência de Cristo que é a cabeça do corpo. Na comunidade amadurecida não há homens faz tudo, os quais são um veneno para a vida comunitária. É melhor todos a fazer pouco, que poucos a fazer tudo.

 

Uma comunidade amadurecida é um espaço privilegiado para a vivência do Baptismo no Espírito que é a dimensão pentecostal da vida cristã. Nesta comunidade o Espírito diz a Palavra no coração das pessoas pela mediação dos irmãos, das escrituras e dos sinais dos tempos. As pessoas que têm a sorte de viver em comunidades amadurecidas crescem enormemente na vida teologal de Fé, Esperança e Caridade, que é o amor ao jeito de Deus.

 

Cada membro da comunidade sente-se livre para dizer o que pensa; mas, ao mesmo tempo, sente o dever de dar a palavra ao irmão e escutá-lo, pois ninguém é dono da verdade. Uma comunidade amadurecida gera cristãos adultos, isto é, pessoas amadurecidas na vida teologal e, portanto, capazes de ser sal, luz e fermento no mundo. Cristo precisa de cristãos amadurecidos, a fim de transformar o mundo e conduzir a Humanidade para o Reino de Deus.”



publicado por Ana Montenegro às 00:12 | link do post | comentar

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