Domingo, 5 de Maio de 2013

"À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles" (Act 14, 27).

 

O desafio pascal que vos temos lançado neste tempo de Páscoa é um convite à atenção.

 

Não sei se está a resultar convosco, mas atrevo-me a dizer que, no meu caso, está a ser útil.

 

O mais engraçado é que não consigo separar uma semana da seguinte, um convite a ver daqueles que o precederam.

 

Por exemplo, a semana passada, o desafio era VER DEUS como o coração chamasse a ver, isso remete-me para alturas em que O vejo nos mais vulneráveis (ou naqueles que lutam por os fortalecer), para alturas em que O vejo na Natureza, para alturas em que o vejo na minha caminhada de Fé e todas essas dimensões fazem parte do meu dia-a-dia.

 

No Domingo passado, guiada pela frase bíblica acima, queria chegar do Retiro e partilhar algumas das coisas que mais me marcaram nele, só que não consegui. Quando digo que não consegui, não significa só que estava com sono ou que não tive tempo. Não, quer dizer que as ideias não queriam "colar".

 

Há momentos em que é necessário digerir, juntar mais algumas experiências, rever o que vivemos, tornarmo-nos unos.

 

Já aqui partilhei algumas vezes que entendo que um dos maiores perigos dos tempos que vivemos é não sermos unos, andarmos dispersos, sermos como que várias pessoas metidas num copo só. Por isso, gosto de parar umas quantas vezes, para verificar a coerência da minha vida e para ver de que forma encaixam os vários ambientes em que me movo, as várias pessoas com quem convivo, os vários interesses que tenho,... Não posso falar de mim deixando de fora a família a que pertenço, a formação académica que tenho, a formação na Fé que vou recebendo, as pessoas com quem falo, os livros que leio, as músicas que ouço...Eu sou um pouco de tudo isso, sem poder ser reduzida a nenhuma dessas coisas, nem sequer à soma delas. Eu sou uma história. Tu és uma história. Deus e o Seu Povo são uma História.

 

Para mim, a grande frase do Retiro: "Digo-vos com toda a verdade que aquele que crê em mim faz tudo aquilo que eu faço e há-de fazer coisas maiores ainda, porque eu vou para o Pai." (Jo 

 

Difícil de acreditar? Claro! Principalmente porque lemos isto como cada um de nós poder fazer coisas maiores do que Jesus e não como todos nós, formando o Corpo de que Jesus é Cabeça, podermos fazer mais do que Jesus fez na Palestina, há 2.000 anos atrás.

 

Agora, se pensarmos no nós como um todo podermos fazer mais do que Jesus que viveu na Palestina, as coisas já mudam de figura.

 

Por exemplo, esta semana, li "Segundo a FAO, o actual desperdício alimentar nos países industrializados ascende a 1,3 mil milhões de toneladas, suficientes para alimentar as cerca de 925 milhões de pessoas que todos os dias passam fome." (Retirado de: http://www.ideiasdeorigemportuguesa.org/ideias/10). Hoje, não podemos dizer que, devido a colheitas más ou a dificuldades do terreno, não foi possível produzir o suficiente para a população. Hoje, com os transportes que há, é possível fazer chegar a quem tem fome o que sobra do outro lado do mundo.

 

Por isso é que o incumprimento dos Objectivos do Milénio é tão chocante. Pensava nisso, esta semana, enquanto lia o post da Glória no Derrotar Montanhas (post "Em rede", de dia 2 de Maio).

 

Mais do que nunca, acho muito perigoso perguntar a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29)

 

É que, quando falámos em globalização e em aldeia global, falámos em possibilidades novas.

 

Deixem-me dar-vos alguns exemplos:

 

  • Posso, sentadinha no meu sofá, ajudar a que meninos, do outro lado do mundo, tenham arroz, apenas jogando (freerice);
  • Posso, sentadinha no meu sofá, assinar petições que pressionam governos bem distantes (Amnistia Internacional, Avaaz,...);
  • Posso, sentadinha no meu sofá, fazer com que uma mãe seja ajudada no Bangladesh, enquanto faço download de um livro de receitas, gratuitamente, em http://www.tilda.com/mums;
  • Há pouco tempo, uma menina da Namíbia foi salva por desconhecidos, por gente que nunca a viu e que ela não faz ideia onde mora (http://a-minha-nova-vida-em-africa.over-blog.com/article-quando-a-luta-vale-a-pena-116920214.html).

Mais, não podemos medir o impacto do que fazemos. É que o que fazemos vai ter repercusões noutros, que terão impacto noutros e noutros e noutros e noutros...

 

Por falar nisso, deixem-me partilhar mais um post do Derrotar Montanhas: http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/05/e-tu-ja-partilhaste-tua-mesa-hoje.html

 

Depois, quero ainda partilhar algumas das coisas sobre impacto positivo de que me lembrei no Retiro. Digamos assim, Memória de redes de bem-querer que nos fazem.

 

Por exemplo:

  • Quantas pessoas são precisas para proporciar uma festa surpresa a uma amiga? Será que conseguimos lembrar-nos de todas? Haverá as pessoas que nos apresentaram, haverá as pessoas que nos tornaram quem somos, haverá as pessoas que prepararam a refeição, haverá os convidados... Todas contam e, de algumas, nem sabemos o nome ou a história, mas contam.
  • Quantas pessoas são necessárias para nos proporcionar uma experiência de Retiro? Quantas pessoas tem a história do Povo de Deus, antes e depois de Jesus? Quantas pessoas nos apresentaram Jesus, com palavras ou com a vida? Quantas pessoas foram necessárias para construir a casa de Retiro? Quantas pessoas prepararam a comida (desde a produção até à mesa)? A quantas pessoas temos de estar gratos, mesmo sem conhecer?
  • Quantas pessoas contribuem para que entreguemos tampas para a Maria Alexandrina?

 

Quanto às primeiras, fiz uns esquemas, mas ou são não partilháveis (porque envolvem expor vida de outros) ou são totalmente impossíveis de aqui conter, por dimensão.

 

Assim, vou partilhar o das tampinhas. A parte de que me lembro, que sei que é uma ínfima parte da realidade. Não vou pôr nomes, porque me posso estar a esquecer de alguém e, sobretudo, porque não é quem que importa, mas sim a cadeia de relações.

 

Só que, como este post já está muito longo e isso ainda tem de ser "mastigado" mais um pouquinho, a cadeia de relações vai ficar para depois.

 

Fica também o desafio de descobrirem as redes de bem-querer que têm à vossa volta e no concreto das vossas vidas.

 

Se sentirem que vale a pena partilharem-nas, não se esqueçam que tudo aquilo que não partilhamos faz com que fiquemos mais pobres.



publicado por Micaela Madureira às 22:35 | link do post | comentar

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